Guia de Leitura
Para grupos de leitura, book clubs e leitores curiosos.
2023 · Poesia
Ad Astra Per Aspera
Por Ásperos Caminhos Até aos Astros
Um livro que nasce do luto — escrito como forma de dar voz ao que tantas famílias silenciam. A autora parte de uma perda pessoal para construir poemas que são ao mesmo tempo íntimos e universais, onde o mar, as estrelas e a noite funcionam como testemunhas da dor.
Temas Centrais
O luto como caminho, não como fim
A morte como tabu na família
A poesia como forma de processar a perda
A natureza — mar, estrelas, lua — como testemunha da dor
A saudade de quem já não está
Perguntas para Discussão
O livro é dedicado ao pai de Ana Rita. Como te sentes ao ler uma obra tão pessoal, nascida de uma perda real? Muda a forma de ler os poemas saber de quem falam?
'Nos poemas mais tristes que escrevi / Escondo sempre o teu nome.' Há alguém cujo nome guardas nos teus momentos mais difíceis? Porque protegemos quem nos magoou?
'Não quero nada disso da vida ou da morte / quero ser poema.' O que significa, para ti, ser poema em vez de escrever poemas? Há uma diferença entre existir e criar?
'Parte da vida é amar / outra parte da vida é sofrer / no meio da parte de amar / aprendemos a estar / no meio da parte de sofrer / aprendemos a ser.' Como equilibras o amor e a dor na tua própria vida?
'Entre sentir tudo a não sentir nada / num furacão de um segundo / prefiro a emoção à fuga de ser humano.' Já te sentiste dividido/a entre sentir tudo e não querer sentir nada? O que escolhes?
'Já leste Chico Buarque? Já amaste como Chico Buarque?' Ana Rita convoca um poeta para falar de amor. Que artista convocarias tu para descrever como amas?
'Quando escrevo faço-o com intensidade de quem ama porque não é possível esconder a loucura de quem sente.' Tens uma forma de expressão onde não consegues esconder quem és?
'Não te esqueças de quem te amou a preto e branco.' O que significa para ti amar a preto e branco — sem filtros, sem condições?
'Ser uma rapariga nos seus 20 e poucos não é de todo um mar de rosas.' O que foi — ou é — mais difícil nessa fase da vida? O que ninguém te avisou?
'Luta pelo teu conto de fadas ou investe o teu tempo a criá-lo.' Acreditas nos contos de fadas? Ou preferes construí-los?
2024 · Poesia
Expectus Luna
Esperando a Lua
Ana Rita associa as fases da lua às fases da vida — é a partir dessa ligação que constrói este livro. Uma poesia sobre a espera, sobre os ciclos que vivemos, sobre a vulnerabilidade de sentir de forma diferente. Entre luz e sombra, o livro questiona o que significa guardar algo dentro de nós.
Temas Centrais
Os ciclos da lua como metáfora das fases da vida
A espera como forma de amor e de esperança
A vulnerabilidade de sentir de forma diferente
Luz e sombra como estados emocionais
O amor e o que fica quando ele parte
Perguntas para Discussão
O livro organiza-se em torno das fases da lua — lua nova, quarto crescente, lua cheia, quarto minguante. Qual das fases representa melhor o momento que estás a viver agora? Porquê?
Ana Rita escreve: 'há momentos onde temos de caminhar a olhar para dentro para encontrarmos a nossa própria luz, o nosso centro de gravidade.' Já viveste um momento assim? Como o encontraste?
'A solidão é como um barco no cais / quando está amarrado à esperança / e ainda não se sabe se vai haver temporal ou bonança.' Como interpretas esta imagem? A solidão pode ser simultaneamente abrigo e prisão?
A autora confessa que prefere falar do que sente 'num papel em jeito de labirinto.' Tens uma forma própria de processar o que sentes? De que modo a escrita — ou outra arte — pode ser esse labirinto?
No poema 'Escuridão perpétua', a lua dá luz precisamente quando mais precisa de força para si própria. Há alguém na tua vida que, mesmo nos seus momentos de fragilidade, continuou a ser luz para os outros?
'Espero que algum dia ou em alguma noite, te possas curar do que escolhes não falar, não sentir, não chorar.' Há algo que carregas em silêncio que ainda não disseste a ninguém? O que impede que o digas?
'Antes de se fazer luz fez-se sentimento.' O que vem primeiro para ti — o que sentes ou o que pensas?
'Agradeço às estrelas que a noite aparecem no teto do meu quarto e, fecho os olhos sabendo que haverá sempre luz.' O que te dá essa certeza de que há sempre luz — mesmo nas noites mais difíceis?
'Quanto mais escrevo menos lágrimas deito por aprender a respirar.' Tens uma atividade que te ajuda a respirar quando a vida aperta?
'O quarto crescente consegue igualmente estar em dois céus diferentes.' Já te sentiste dividido/a entre dois mundos, dois lugares ou duas versões de ti? Como reconcilias essa divisão?
2025 · Ficção / Prosa Poética
Dar a Volta aos Medos
Narrado pelo pai, o livro conta a história de Afonso — um rapaz que cresce entre silêncios e ausências, depois da mãe professora de português falecer de cancro. Com duas irmãs gémeas mais velhas, um pai de mãos ásperas e cheias de amor, e a literatura como refúgio, Afonso aprende a construir significado no que não é dito.
Temas Centrais
Crescer entre silêncios e ausências
A relação pai-filho e o amor que não sabe dizer-se
A ausência da mãe como presença constante
A literatura como refúgio e construção de identidade
Os medos herdados e os medos construídos
Perguntas para Discussão
O pai nunca teve o hábito da leitura — foi a voz da mãe que o conquistou. Houve alguém que te apresentou algo que nunca terias descoberto sozinho/a?
Os medos do Afonso são em grande parte herdados — do pai, da família, do silêncio. Reconheces algum medo teu que não seja realmente teu, mas que aprendeste com alguém?
A mãe de Afonso era professora de português que adormecia a ler. De que forma a literatura que ela amava continua presente na vida de Afonso depois de ela partir?
O Afonso cresce sem conhecer a mãe, mas a presença dela está em todo o lado. Já sentiste a influência de alguém que não está — ou nunca esteve — mas que mesmo assim te formou?
Os capítulos organizam-se em torno de primeiras vezes — primeiro salário, primeiro 'gosto de ti', primeira vez que se sentiu pequeno. Que primeira vez da tua própria vida mudou quem és?
O pai escreve ao filho o que nunca soube dizer em voz alta. Se escrevesses uma carta a alguém que amas, que coisa importante não conseguias dizer cara a cara?
O livro fala de um amor entre pai e filho que se expressa mais em gestos do que em palavras. Que momento do livro sentiste esse amor mais intensamente?
O livro alterna entre prosa narrativa e pequenos poemas entre chavetas — {amarelo}, {esperança}, {abraços}. Como sentes essa mudança de ritmo? O que acrescentam os poemas ao que a prosa conta?
Há um capítulo chamado 'O filho que fica para trás.' Já te sentiste assim — o que ficou enquanto a vida avançava? Como foi?
O livro termina com um capítulo chamado 'Mãe.' Sem ler o capítulo, o que esperavas encontrar? E após a leitura, o que encontraste de diferente ou inesperado?